Meu amor,
espero saber-te bem. Tão ou melhor desde que parti… de ao pé de ti. Sei dos teus muitos pretendentes, mas ensinaste-me a aceitar essa condição sem um lampejo de tristeza ou ansiedade.
Sei que sofres, como eu sofro. Sei que vives, desde que te deixei, entre a tradição da saudade e o revigorante futuro que nos voltará a juntar. Quando penso em ti, sinto a divisão que sentem as margens de um rio, separadas até à foz… incapaz de escolher entre o desejo de ficar mais um dia e a honra de cumprir o dever de partir.
Que amante te prometeste! … ainda que tenhamos vivido muitos altos e baixos que me levaram ao limite das minhas forças. Para depois me aceitares ao teu colo, em momentos de inesquecível quietude e harmonia entre nós. Afinal, também és feita de serenidade e logo ali… ali ao lado, um fantástico pôr-do-sol.
Vem comigo!… Não podes? Ainda assim levo-te no meu coração. Levo-te sim, ainda que contra a tua caprichosa vontade. Nada podes fazer contra todas estas pontes que se criaram entre os nossos corações.
Ó Meus Deus! Que falta me fazes nesta vida atribulada. Os teus cheiros. Os teus sons. As tuas cores. A crueza com que me falavas de safanão para logo a seguir me sussurrares em recantos de encantar. Como se por ali, outras histórias de amor, como a nossa, se tivessem também perdido.
Se todas as cartas de amor são ridículas… pois que esta o seja. Que o meu amor por ti não finde, hoje e nunca.
Conto os dias que faltam para voltar aos teus braços… Porto.
Rui Melo